28 de nov de 2011

Pregador da Casa Pontifícia fala sobre Tempo do Advento




"Como todo fiel e mais que todo fiel, ela(Maria), na inédita expressão do Vaticano II, "avançou em peregrinação de fé" (Lumen Gentium, 58). Ela, que fora a maior mestra de Jesus, foi também, por sua vez, a sua maior discípula.
Foi justamente na "escola da vida", a escola mais comum e ordinária, que ela foi "instruída por Deus"(Jo 6, 45; 1Ts 4, 9) sobre seus mistérios sublimes e mais determinantes para o destino do mundo(Mc 4, 11; Lc 10, 21-22).
Por isso, Maria permanece como o símbolo insuperável da fé que vive e transfigura o cotidiano, como é também a imagem perfeita de Comunidade de Fé, enquanto peregrina para o Reino glorioso nos caminhos poeirentos desse mundo." (Fr. Clodovis Maria Boff).

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Maria é "a melhor companheira de viagem durante o Advento", afirma o pregador da Casa Pontifícia, frei Raniero Cantalamessa.


No último domingo, 27, a Igreja deu início a um novo Ano Litúrgico, com o início do Tempo do Advento. Segundo o frei capuchinho, a Palavra de Deus é sempre a mesma, mas, também, s


empre nova, "porque cai em meio a situações novas e porque o Espírito Santo lança luz sobre essas novas implicações".

Na próxima sexta-feira, 2, Cantalamessa começa a série de meditações tradicionalmente feitas ao Papa e à Cúria Romana durante as sextas-feiras deste Tempo Litúrgico da Igreja.

Confira a entrevista do frei à Rádio Vaticano.

Rádio Vaticano – Nos ciclos anuais do Tempo Litúrgico, quais são as novidades a se colher e viver?
Frei Raniero Cantalamessa – A novidade vem do Espírito, porque, a cada ano, o Espírito dá vida nova às palavras que escutamos, e que escutamos em um contexto sempre novo. Portanto, como a Palavra de Deus é sempre aquela – e a cada vez, no entanto, é nova, porque cai em meio a situações novas e porque o Espírito Santo lança luz sobre essas novas implicações –, assim, neste momento, a Igreja está vivendo dois grandes temas: a evangelização, que será o tema do Sínodo do próximo ano, e, depois, o Ano da Fé, convocado por Bento XVI

. Portanto, já o Advento se presta a começar a dar um sentido concreto a esse Ano da Fé e, ao centro do Advento, há propriamente a fé de Maria, há a fé dos pastores, dos Magos. Não se pode começar, portanto, de melhor maneira o Ano da Fé do que vivendo exatamente a plenitude do Advento.


RV – Como predispor-se para viver plenamente o Tempo do Advento?
Frei Cantalamessa – A predisposição exterior é aquela de se dar um pouco mais de espaço de silêncio, de oração, de contemplação. Os tempos fortes servem-nos também para isto: para produzir uma ruptura com o ritmo habitual da vida. Não se pode certamente diminuir o compromisso, o trabalho, mas se pode diminuir o ruído da televisão e de outras coisas, de tal forma que se possa entrar em um clima de maior silêncio, de maior interioridade. No fundo, contudo, aquilo que decide é a abertura maior ou menor ao Espírito Santo, porque é o Espírito Santo a ser a presença viva de Cristo. O Advento tem sentido enquanto revivemos a expectativa, a vinda de Cristo: mas quem torna Cristo presente na Igreja, na história, é Ele, é o Espírito Santo. O Espírito Santo vem sobre Maria e o Espírito Santo, neste Tempo de Advento, deveria vir sobre todos os cristãos. E ele vem. O importante é que seja desejado, esperado, porque, como diz São Boaventura: "O Espírito Santo vai lá onde é esperado, desejado e amado".


RV – Uma expectativa que tem a duração de quatro semanas. Como se desenvolve o percurso litúrgico?
Frei Cantalamessa – Há, no interior do Advento, um caminho de aproximação que se intensifica. No início, por exemplo, na liturgia, escuta-se, sobretudo, Isaías – textos de Isaías que anunciam o Advento da salvação de longe. Depois, nas segunda e terceira semana, a figura central é João Batista, que é já o precursor e, portanto, nos aproximamos um pouco mais. O último domingo do Advento é dominado pela figura de Maria que é, eu diria, a melhor companheira de viagem durante o Advento, porque viveu este tempo como toda a mãe na iminência do parto: com uma interioridade, uma intensidade, uma ternura particulares. Portanto, Maria pode ajudar-nos certamente a andar ao encontro de Cristo, não de uma forma qualquer, sem amor, mas andar ao encontro de Cristo com o coração, mais ainda que com o tempo.

Fonte:


http://noticias.cancaonova.com/noticia.php?id=284402

24 de nov de 2011

A Liturgia das Horas



A oração pública e comum do povo de Deus é considerada com razão entre as principais funções da Igreja. Nos primórdios, já os batizados eram "perseverantes em ouvir o ensinamento dos apóstolos, na comunhão fraterna, na fração do pão e nas orações" (At. 2,42). Várias vezes os Atos dos Apóstolos atestam que a comunidade cristã orava em comum.


Os documentos da Igreja primitiva também testemunham que os fiéis, cada um em particular, se entregavam à oração em determinadas horas. Assim, muito cedo prevaleceu, em diversas regiões, o costume de reservar para a prece comum tempos fixos, como a última hora do dia, ao anoitecer, quando se acendiam as luzes, ou a primeira, quando, saindo o sol, a noite finda. Com o decorrer do tempo chegaram a santificar com uma prece também as demais horas, que os Padres viam insinuadas nos Atos dos Apóstolos. Aí, de fato, aparecem os discípulos reunidos às nove horas (At. 2,1-15). O príncipe dos Apóstolos “subiu ao terraço para orar pelas doze horas (At 10,9)”. "Pedro e João subiam ao templo à hora da oração, às quinze horas" (At. 3,1). "Por volta da meia-noite, Paulo e Silas, em oração louvavam a Deus" (At. 16,5).


Essas orações, celebradas em comum, foram pouco a pouco aperfeiçoadas e organizadas como o ciclo completo das Horas. Enriquecida com leituras, essa Liturgia das Horas ou Ofício Divino, é antes de tudo oração de louvor e petição e é oração da Igreja com Cristo e a Cristo.


A Liturgia das Horas desenvolveu-se pouco a pouco, até se tornar a oração da Igreja local, onde veio a ser, em tempos e lugares estabelecidos, sob a presidência do sacerdote, como que complemento necessário a todo culto divino, que se encerra no Sacrifício eucarístico e que devia ter repercussão e estender-se a toda as horas da vida humana.


Tendo sido aumentado gradualmente, no correr dos tempos, o livro do Ofício divino (outro nome de Liturgia das Horas) tornou-se instrumento adequado para a ação sagrada a que se destina. Todavia, em várias épocas foram introduzidas modificações notáveis no modo de celebrar as Horas, contando-se entre estas modificações a celebração individual. Por isto não é de se admirar que o próprio livro, denominado Breviário, se tenha adaptado às várias formas, que exigiam muitas vezes composição diversa.


Com o Concílio Vaticano II foram feitas reformas também na Liturgia das Horas, até chegar à forma que hoje temos.


Sendo a oração de todo Povo de Deus, o Ofício foi disposto e preparado de tal maneira que nele possam tomar parte não apenas os clérigos, mas também os religiosos e os leigos. A celebração pode adaptar-se às diversas comunidades que celebram a Liturgia das Horas, segundo sua condição e vocação.


A Liturgia das Horas é uma santificação do dia. Por isso, renovou-se a ordem da oração, de tal modo que as Horas canônicas (Laudes, Terça, Média, Noa, Vésperas e Completas) possam mais facilmente adaptar-se às várias horas do dia, considerando as condições em que transcorre a vida humana em nosso tempo. Deu-se maior importância às Laudes (Manhã) e Vésperas (Tarde), partes principais de todo o Ofício.


De acordo com as normas dadas pelo Concílio, o Saltério distribui-se em quatro semanas. Para aumentar-lhe a riqueza espiritual, foram acrescentados às Laudes outros cânticos, tirados de livros do Antigo Testamento, enquanto que alguns cânticos do Novo Testamento, como pérolas preciosas, se introduziram nas Vésperas.


Nas Laudes foram acrescentadas as Preces, com as quais se quer consagrar o dia e se fazem as invocações para o início do trabalho cotidiano. Nas Vésperas se faz uma breve oração de súplica, estruturada como a oração universal. No final das Preces se introduziu a Oração do Senhor. Assim, considerando que é rezada também na Missa, se restabelece, em nosso tempo, o uso da Igreja antiga de rezar essa Oração três vezes ao dia.


A celebração da Liturgia das Horas, quando particularmente por esse motivo a Igreja se reúne, manifesta a verdadeira natureza da Igreja orante, da qual se revela como sinal maravilhoso.


Há pessoas (os ministros ordenados e os religiosos) que receberam da Igreja o mandato de celebrar a Liturgia das Horas. Estas devem cumprir seu dever todos os dias rigorosamente, com a recitação integral, fazendo coincidir, na medida do possível, com o verdadeiro momento de cada uma das Horas. Além disso, devem dar-se devida importância, sobretudo às Laudes e Vésperas. Estas pessoas não se sintam impelidas unicamente por uma lei a cumprir, mas antes pela reconhecida importância intrínseca da oração e pela sua utilidade pastoral e ascética.


A Liturgia das Horas estende pelas diversas horas do dia os louvores e ações de graças, como também a memória dos mistérios da salvação, as petições e aquele antegozo da glória celeste contidos no mistério eucarístico, "centro e ápice de toda a vida da comunidade cristã".


A própria celebração da Eucaristia tem por sua vez, na Liturgia das Horas, a sua melhor preparação; porquanto esta desperta e alimenta da melhor maneira as disposições necessárias para celebrar com proveito a Eucaristia, quais são a fé, a esperança, a caridade, a devoção e o espírito de sacrifício.



Estrutura das Horas


Laudes (Oração da manhã)

· Invitatório: V. Abri, meus lábios ó Senhor. R. E minha boca anunciará vosso louvor. V. Glória ao Pai... R.
· Salmo Invitatório (geralmente o 94, mas pode ser também o 23, o 66 ou o 99).
· Hino: um para cada dia, exceto em tempos fortes (quando o hino é próprio).
· Salmodia: dois Salmos intercalados por um Cântico do AT.
· Leitura Breve
· Responsório breve
· Cântico Evangélico: Benedictus
· Preces
· Pai Nosso
· Oração final


Horas Intermediárias (Nove, Doze, Quinze)

· Introdução: V. Vinde ó Deus em meu auxílio. R. E minha boca proclamará vosso louvor. V. Glória... R.
· Hino (fixo para cada hora)
· Salmodia: Três Salmos ou um menor e outro maior dividido em duas partes
· Leitura breve
· Responsório breve
· Oração final


Vésperas (Oração da Tarde)

· Introdução: V. Vinde ó Deus em meu auxílio. R. E minha boca proclamará vosso louvor. V. Glória... R.
· Hino: um para cada dia, exceto em tempos fortes (quando o hino é próprio).
· Salmodia: dois Salmos seguidos de um Cântico do NT.
· Leitura Breve
· Responsório breve
· Cântico Evangélico: Magnificat
· Preces
· Pai Nosso
· Oração final


Completas (antes do repouso da noite)

· Introdução: Vinde ó Deus...
· Hino: fixo
· Salmodia: um Salmo ou dois
· Leitura breve
· Responsório breve (fixo)
· Cântico Evangélico: Nunc dimittis
· Oração final
· Antífona final a Nossa Senhora


Ofício das Leituras (sem hora marcada)

· Introdução: Vinde ó Deus...
· Hino
· Salmodia: geralmente um Salmo dividido em três partes
· Leitura Bíblica
· Responsório breve
· Leitura Hagiográfica (de um santo) ou Patristica (de um dos primeiros escritores da Igreja)
· Responsório breve.
· Oração final


Para entender um pouco melhor, assista:


Fonte:http://www.jesusbompastor.org.br/index.php?option=com_content&task=view&id=214&Itemid=93

16 de nov de 2011

Deus chama todos à oração

Amados, nós do Santos ou Nada queremos anunciar com muito amor e alegria que ganhamos mais um colaborador e membro: Cláudio Amorim, seminarista da Arquidiocese da Paraíba.
Deus seja louvado por esse Sim que hoje ele dá, não para nós, mas para Deus. Que a Virgem do Silêncio possa guiar cada palavra e pensamento que será transcorrido por ele, a cada post nesse blog.
E, como não podia ser diferente, para bem marcar essa estréia, tá aqui um belíssimo texto de sua autoria:




Deus chama todos à oração


A última parte do Catecismo da Igreja Católica é dedicada à oração cristã. A oração deveria ser – como a respiração, como as batidas do coração – uma coisa normal, co –natural, na vida de cada ser humano. De fato, a primeira reação da criatura humana quando descobre a seu criador – como sucede com o pai e a mãe para o recém nascido – é chamar-lhe, falar-lhe, comunicar-se com Ele, trata-lo. E isto é a oração: falar com Deus, a quem reconhecemos como nosso Senhor, a quem devemos tudo o que temos e somos e a quem, portanto, devemos mostrar reverência e agradecimento, ao mesmo tempo em que expomos a Ele as nossas necessidades e lhe pedimos perdão se não temos correspondido a Seu amor providente e misericordioso. Alguém já disse que “nunca o homem é tão grande como quando está de joelhos”, significando que orar é uma obrigação para a criatura, ao mesmo tempo em que nos eleva à dignidade de podermos dialogar com Deus, o Criador do universo e a fonte de todo bem.

IDÉIAS PRINCIPAIS:

1. O que é a oração

A oração é algo tão grande que corremos o risco de rebuscar uma definição solene e surpreendente. O velho catecismo diz, com toda a simplicidade, que “orar é falar com Deus”. E, de fato, se uma pessoa põe-se a falar com Deus – com palavras ou sem palavras – movida pela fé, a humildade e a confiança, está fazendo oração. São João Damasceno diz que é “a elevação da alma a Deus”. Santa Teresa de Jesus explica que a oração é “Tratar de amizade com Deus, estando muitas vezes tratando a sós com quem sabemos que nos ama”. Fiquemos, pois, com esta idéia: orar é falar com Deus; ou, se preferir, “um diálogo com Deus, um diálogo de confiança e de amor”, como ensina o Papa João Paulo II, com o fim de adora-Lo, dar-Lhe graças, implorar o perdão e pedir o que precisamos. Falar com Deus, que é o Criador e Senhor nosso, da mesma maneira que falamos com as pessoas que amamos.

2. A oração é essencial para o ser humano

A oração é o resultado do conhecimento e reconhecimento de Deus, Criador, e do conhecimento e reconhecimento da criatura. O conhecimento de Deus se adquire – ainda que seja de forma confusa – à medida que se vão desenvolvendo os conhecimentos, pois necessariamente o ser humano percebe que depende dos outros. Não é ele quem deu a si mesmo a vida, mas a recebeu de alguém; e outro tanto acontece com tudo o que necessita. Por pouco que os pais e educadores colaborem, a criança descobre a Deus com facilidade. Por isso, as crianças rezam tão bem; os que não rezam ou rezam mal são os mais velhos, que se tornam egoístas e orgulhosos e pedem razões a Deus. E da mesma forma que fala com os pais e os chama, e pede-lhes o que precisa, e os beija e abraça, assim, sentem a necessidade de manifestar o mesmo amor, carinho e confiança para com Deus; e como a Deus não podem vê-Lo, estas expressões todas se convertem em oração. Por outra parte, e em correlação a isso, ao conhecer-se a si mesmo, a criatura humana sabe de sua limitação e de suas necessidades, e abre-se a Deus em oração, para que Ele nos ajude a resolvê-las.

3. A oração no Antigo Testamento

O Antigo Testamento apresenta o exemplo dos grandes patriarcas, que foram homens de oração: Abraão, Jacó, Moisés, Davi e os profetas; falavam com Deus como se fala com um amigo, porque Deus, de fato, assim o é. Os Salmos são uma obra mestra de oração dos homens do Antigo Testamento e continuam a ser uma peça fundamental da oração da Igreja. Aí colocaram suas necessidades e sua esperança, que olhava sobre tudo para a vinda do Salvador, tão anelada e suplicada.

4. A oração de Jesus

O Verbo encarnado, Filho único de Deus, faz seus discípulos entrarem na intimidade do Pai com o Espírito Santo, sendo modelo perfeito de oração. Ele ensina a tratar a Deus com o exemplo e com a pedagogia de uma instrução precisa: “Pai nosso...”.
a) Jesus ora. O Evangelho conta com freqüência que Jesus se entregava à oração, e às vezes na solidão, em segredo. Na oração de Jesus transparecia a identificação com a vontade do Pai até a cruz e a absoluta segurança de ser escutado.
b) Jesus ensina a orar. Jesus ensinou seus discípulos a orar: Pai nosso; para reza-lo bem faz falta ter um coração limpo, uma fé viva e perseverante e audácia filial. O cristão ora como filho de Deus e reforça suas petições com a intercessão de Cristo, em cujo nome as apresenta ao Pai.
c) Jesus atende a oração. Mesmo que, muitas vezes, Jesus tomasse a iniciativa e se adiantava às necessidades, os milagres do Evangelho respondem, em numerosas ocasiões, à petição das pessoas que dele se aproximavam. Jesus escutava e atendia aquela oração.

5. A oração da Igreja

Ao longo dos anos, o cristão vai-se convencendo de que o importante é orar, e com esta experiência sabe, se não aprendeu antes,  que a Igreja vive em oração, que existe para orar. Assim pode-se compreender melhor a importância da oração – a inestimável ajuda das almas que rezam – e a necessidade de que cada um intensifique o trato com Deus. Por outra parte, é o Espírito Santo aquele que suscita nos cristãos a vida de oração, tão rica e variada: oração de adoração, de benção, de louvor, de petição, de intercessão, de ação de graças, de súplica pelo perdão, segundo os sentimentos que marcam a alma quando fala com Deus. O Espírito Santo é o mestre da oração cristã.

6. A oração de Nossa Senhora

Para descobrir e percorrer a senda da oração que agrada a Deus, a Virgem Maria vai a nossa frente, e nos ajuda a seguir por um caminho seguro. Ela meditava os acontecimentos em seu coração, diz São Lucas, em contínuo diálogo interior com Deus; Ela nos ensinou a orar com aquele Fiat (faça-se) fundamental e com o magnificat (seu hino de humildade e reconhecimento); Ela nos introduz no trato com Jesus, como em Caná: “Fazei tudo o que Ele vos disser” (João 2,5); Ela inaugurou a oração da Igreja após a partida de seu Filho ao céu, reunida com os Apóstolos no Cenáculo, quando “perseveravam unânimes na oração com algumas mulheres, com Maria, a Mãe de Jesus” (Atos 1,14). Devemos ter como exemplo de oração a Ela, nossa Mãe.

7. Propósitos de vida cristã
  • Ter sempre muita vontade de melhorar nossa vida de oração, e lutar para isso.
  • Reservar sempre uns minutos no dia para falar com Deus, particularmente ao despertar e ao terminar o dia.


APRENDER A FAZER ORAÇÃO

Senhor, ensina-nos a rezar” (Lucas 11,1), disseram um dia os Apóstolos a Jesus. E Jesus lhes ensinou o Pai Nosso. A nós acontece a mesma coisa, e muitas vezes sentimos a vontade de dizer a Jesus: Ensina-me a orar!; e isto acontece porque é preciso aprender a rezar. Normalmente, o cristão aprende a rezar com a família, que é a “Igreja doméstica”; desde muito pequenos, aos filhos são ensinadas as primeiras orações com as quais se dirigem a Deus, a Jesus, à Santíssima Virgem, aos anjos e aos santos. São orações simples e que se entranham na vida e na mente, e que são conservadas e transmitidas de pais para filhos. Esta realidade vivida em família, vive-se também particularmente na Igreja, que é “comunidade de oração”; se vivemos como bons filhos, esta boa mãe que é a Igreja nos ensinará a fazer oração e nos ajudará para que consigamos ser almas de oração.

IDÉIAS PRINCIPAIS:

1. As fontes principais da oração

A voz que Deus quer ouvir é a nossa voz, a de cada um de seus filhos e filhas, saída de dentro do coração que ora; mas quer também reconhecer nela o timbre de sua própria palavra. Por isso dizemos que a fonte principal da oração é a Palavra de Deus. Na Sagrada Escritura, é Deus quem nos fala – Cristo nos fala – e nos ensina a orar. Aquele que lê a Sagrada Escritura aprende a orar. Também a Liturgia da Igreja, que anuncia, atualiza e comunica o mistério da salvação é oração. Agora, é a Igreja que nos ensina a rezar, e ora em nós e conosco. As virtudes teologais: fé, esperança e caridade, que se referem diretamente a Deus e nos comunicam com Deus quando vividas, tornam-se oração em nós...
Finalmente, os acontecimentos de cada dia: o trabalho, a vida de família, a amizade, o descanso..., são fontes de oração, ocasião de encontro com Cristo porque, como confessa São Josemaria Escrivá, “o tema de minha oração é o tema da minha vida”.

2. A quem se dirige a oração

A oração litúrgica ou oração pública da Igreja dirige-se normalmente a Deus Pai, por mediação de Jesus Cristo, o Filho, na unidade do Espírito Santo. A Trindade, portanto, na identidade de natureza e distinção das pessoas, é o término da oração da Igreja. A referência a Deus Pai é clara, posto que – como princípio sem princípio – é a fonte de toda graça e de todo bem. A mediação única de Jesus Cristo, por sua Santíssima Humanidade nós a aprendemos de sua própria missão e das palavras de São Paulo. E a intervenção do Espírito Santo vem demonstrada pelo fato de dizer-nos que “o mesmo Espírito vem em ajuda de nossa fraqueza, porque nós não sabemos pedir o que nos convém; mas o mesmo Espírito advoga por nós com gemidos inefáveis” (Romanos 8,26). Desta forma, a oração da Igreja serve como orientação para a oração pessoal, para que aconteça por este sulco verdadeiro da comunicação com Deus uno e trino; quer dizer que, a oração do cristão se dirige a Deus Pai por meio de Jesus Cristo na unidade do Espírito Santo. Vai dirigida a Deus e só a Deus. Mas, dada a nossa condição humana – e Deus assim o quer porque participou a bondade da causalidade a suas criaturas – , para chegar a Deus mais facilmente interpôs-nos os anjos e os santos – e de modo singular a Mãe de Deus e São José – para que apresentem nossas necessidades ante Deus. Contando sempre com que são mediadores secundários, que nos ajudam ir a Deus.

3. Rezar em comunhão com a Santa Mãe de Deus

Desde o episódio de Cana: “Fazei tudo o que Ele vos disser” (João 2,5), a Virgem atua sempre da mesma forma, levando-nos a Jesus. Por isso, ainda que a mediação de Cristo seja única – Ele é o Mediador - , Deus quis associar Nossa Senhora a si, a sua obra redentora de um modo muito estreito. Como conseqüência, rezamos a Deus e oramos a Cristo, mas Maria é também – por seu exemplo e por sua atuação – um caminho seguro de oração. O canto de Nossa Senhora, no Evangelho de São Lucas, é um modelo de oração – desde a humildade – para agradecer as maravilhas que Deus nela operou; e nós, com Ela, louvamos a Deus. Além de rezar com Maria, acudimos a Ela para confiar-lhe nossas súplicas e louvores, sendo verdade que podemos orar com Maria e a Maria. Também nisto anda junto com seu Filho, e a silhueta da Virgem ajusta-se à de Cristo, de quem comenta Santo Agostinho: “Pede por nós, como nosso sacerdote; ora em nós como que se fosse nossa cabeça; a Ele dirigimos nossas súplicas, como a nosso Deus”.

4. A Ave Maria, a melhor oração à Virgem

Por ser Mãe de Deus e nossa Mãe, a Virgem intercede continuamente perante seu Filho, Jesus Cristo, por cada um de nós. Por isso acudimos a Ela com filial confiança, e podemos fazê-lo de muitas maneiras, ainda que a melhor forma seja a de rezar a Ave Maria, que recorda a saudação do Arcanjo, ao anunciar-lhe o mistério da Encarnação: “Ave, Maria, tu és cheia de graça, o Senhor está contigo”, junto com o louvor de Isabel: “Bendita és tu entre todas as mulheres, e bendito é o fruto de teu ventre” (Lucas 1, 28; 42). A Igreja completou estes louvores com a oração: “Santa Maria, rogai por nós pecadores, agora e na hora da nossa morte. Amém”. Mesmo sabendo que o centro da clemência está no sacratíssimo e misericordioso Coração de Jesus e no dulcíssimo Coração de Maria, muitas vezes recorremos à intercessão dos anjos e dos santos, que já contemplam e louvam a Deus e tem o encargo providencial de cuidar de nós enquanto peregrinamos para o céu. E como a Ave Maria é tão bonita – foi composta por Deus – e pensamos que nossa Mãe está presente em tudo, também aos anjos e santos os invocamos com a Ave Maria e o Pai Nosso.

5. A escola da piedade

A família cristã é a escola natural para educar os filhos na oração; mas a piedade se vê favorecida e completada pela pedagogia do sacerdote, das religiosas, dos catequistas, na catequese, nos grupos de oração e na direção espiritual.

6. Onde fazer oração

Podemos falar com Deus sempre e em todo lugar, porque Ele vê tudo, ouve tudo e está em todas as partes; sem dúvida, o lugar mais apropriado para orar é a Igreja, onde Deus está presente de maneira singular. No sacrário está Jesus Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, com seu corpo, sangue, alma e divindade; o mesmo que nasceu em Belém, viveu em Nazaré e morreu na cruz. Além disso, lá é celebrada a Santa Missa, que é a oração mais sublime e eficaz, porque é a oração de Cristo e da Igreja inteira unida a Ele, que é nossa Cabeça. Temos de amar muito a Santa Missa, e participar dela sempre que possível, porque é o momento no qual Cristo se oferece em adoração e ação de graças infinita, expiando os pecados e pedindo pelas necessidades de toda a humanidade.

7. Propósitos de vida cristã
  • Meditar a Ave Maria para compreender melhor o que se reza
  • Viver bem os detalhes de carinho e respeito quando se está na Igreja: uso da água benta, genuflexão perante o sacrário, inclinação de cabeça ante o Crucifixo e a imagem da Virgem, silêncio, modo de vestir-se, etc.... 

13 de nov de 2011

Os mortos estão inconscientes no além?


- Alguém me disse que, após a morte de uma pessoa, ela fica como que dormindo, sem ter consciência de nada. A Bíblia ensina realmente essa idéia?

Não, a Bíblia não ensina essa idéia. Os que sustentam a crença da "dormição da alma" dizem que quando uma pessoa morre entra, então, em um estado de inconsciência que durará até a segunda vinda de Cristo. Alguns, inclusive, usam esse argumento para negar que os santos no céu podem interceder por nós, vez que supostamente estariam dormindo.

Isaías 14, 9-10 nos diz que os mortos estão ativos e falando; portanto, conscientes: "Sob a terra, o reino dos mortos se agita por ti, para dar-lhe as boas vindas; desperta as sombras de todos os grandes da terra e levantam-se dos seus tronos os reis dos povos. Todos se dirigem a ti e dizem: 'Tu também foste atirado ao solo e agora és idêntico a nós".

Em 1Pedro 3,19, Jesus prega às almas na prisão. Por que pregar-lhes se estavam... dormindo? Na história de Lázaro e o rico epulão (Lucas 16,19-31), Jesus nos mostra que os mortos estão conscientes.

Se os mortos estão inconscientes, pode-se perguntar como é que Jesus falou com [um] deles durante sua transfiguração (Mateus 17,3) e como eles podem oferecer nossas súplicas a Deus (v. Apocalipse 5,8), ou como eles podem se dirigir em alta voz para Deus (Apocalipse 7,10), ou como essas almas dormentes e inconscientes podem clamar "com uma voz bem forte: 'Santo e Justo Senhor: até quando esperarás para fazer justiça e vingar nosso sangue aos habitantes da terra?'" (Apocalipse 6,10). Quão forte é essa exclamação para quem se encontra inconsciente!

Em poucas palavras: como vemos, a Bíblia NÃO ensina que os mortos estão inconscientes, muito pelo contrário. Os que faleceram estão bem conscientes e até mais vivos que nós, nos envolvendo como "uma grande nuvem de testemunhas" (Hebreus 12,1).

Fonte: Veritatis Splendor

8 de nov de 2011

Não se deve ter medo da Renovação Carismática

Muitos criticam, tiram sarro, inventam mentiras...mas olha só o que disse o Pregador OFICIAL do PAPA:


Entrevista com o padre Raniero Cantalamessa

CASTEL GANDOLFO, 25 de setembro de 2003 (ZENIT.org).- Longe de ser uma realidade que deva ser observada com «prevenção», a experiência do batismo no Espírito faz da Renovação Carismática Católica um formidável meio querido por Deus para revitalizar a vida cristã, constatou esta quinta-feira o padre Raniero Cantalamessa, pregador oficial da Casa Pontifícia.

Em 18 de fevereiro de 1967, trinta estudantes e professores da universidade de Duquesne (Pensilvânia, Estados Unidos), fizeram um retiro espiritual para aprofundar na força do Espírito dentro da Igreja primitiva. O chamado teve uma resposta surpreendente, estendendo-se pelos cinco continentes.

Reconhecida pelo Conselho Pontifício para os leigos, atualmente mais de cem milhões de católicos vivem esta experiência, segundo confirma Alan Panozza, presidente dos «Serviços Internacionais da Renovação Carismática Católica» (ICCRS, por suas siglas em inglês), com sede no Vaticano.

Hoje, depois de 35 anos, a Renovação Carismática está presente em mais de duzentos países.

Considerando os fiéis das Igrejas protestantes, evangélicas e pentecostais, e alguns da Igreja ortodoxa, estima-se que no total os cristãos que tiveram esta experiência carismática somam cerca de 600 milhões no mundo.

Mais de 1.000 líderes da Renovação Carismática Católica procedentes de 73 países se reuniram na localidade italiana de Castel Gandolfo em torno ao tema da santidade --à luz da Encíclica de João Paulo II «Novo Millenio Ineunte»-- de 20 a 25 de setembro em um retiro cuja pregação foi encomendada ao padre Cantalamessa, ofm. Cap.

O Cardeal James Francis Stafford, presidente do Conselho Pontifício para os Leigos, e o bispo Stanislaw Rylko, secretário deste organismo vaticano, estiveram entre os convidados à reunião internacional convocada pelo ICCRS.

Por seus testemunhos de primeira mão na experiência «carismática», Zenit entrevistou o padre Raniero Cantalamessa momentos antes da Conclusão do encontro.

- Na Igreja há fiéis que consideram que o «batismo no Espírito» é uma invenção dos carismáticos. Inclusive que puseram nome a uma vivência, mas que não está «catalogada» na Igreja. Poderia explicar, desde sua própria experiência, o que é o batismo no Espírito?

- Pe. Raniero Cantalamessa: O batismo no Espírito não é uma invenção humana, é uma invenção divina. É uma renovação do batismo e de toda a vida cristã, de todos os sacramentos. Para mim foi também uma renovação de minha profissão religiosa, de minha confirmação, de minha ordenação sacerdotal. Todo o organismo espiritual se reaviva como quando o vento sopra sobre uma chama. Por que o Senhor decidiu atuar neste tempo desta maneira tão forte? Não sabemos. É a graça de um novo pentecostes.

Não é que a Renovação Carismática tenha inventado o batismo no Espírito. De fato, muitos o receberam sem saber nada da Renovação Carismática. É uma graça; depende do Espírito Santo. É uma vinda do Espírito Santo que se traduz em arrependimento dos pecados, que faz ver a vida de uma maneira nova, que revela Jesus como o Senhor vivo --não como um personagem do passado-- e a Bíblia se converte em uma palavra viva. A verdade é que não se pode explicar.

Há uma relação com o batismo, porque o Senhor diz que quem crê será batizado e será salvo. Nós recebemos o batismo de crianças e a Igreja pronunciou nosso ato de fé; mas chega o momento em que nós temos que ratificar o que sucedeu no batismo. Esta é uma ocasião para fazê-lo, não como um esforço pessoal, mas sob a ação do Espírito Santo.

Não se pode afirmar que milhões de pessoas estejam equivocadas. Yves Congar, este grande teólogo que não pertencia à Renovação Carismática, em seu livro sobre o Espírito Santo afirmava que a realidade é que esta experiência mudou profundamente a vida de muitos cristãos. E é um fato. A mudou e iniciou caminhos de santidade.

- Como vive seu ministério como pregador da Casa Pontifícia desde sua experiência na Renovação Carismática?

- Pe. Raniero Cantalamessa: Para mim tudo o que passou desde 1977 é um fruto de meu batismo no Espírito. Era professor na Universidade. Dedicava-me à pesquisa científica na história das origens cristãs. E quando aceitei não sem resistência esta experiência, depois tive o chamado de deixar tudo e colocar-me à disposição da pregação, e também a nomeação como pregador da Casa Pontifícia chegou depois de que tinha experimentado esta «ressurreição». Vejo isso como uma grande graça. Depois de minha vocação religiosa, a Renovação Carismática foi a graça mais assinalada de minha vida.

- Desde seu ponto de vista, os membros da Renovação Carismática têm uma vocação específica dentro da Igreja?

- Pe. Raniero Cantalamessa: Sim e não. A Renovação Carismática, temos que dizer e repetir, não é um movimento eclesial. É uma corrente de graça que está destinada a transformar toda a Igreja: a pregação, a liturgia, a oração pessoal, a vida cristã. Assim que não é uma espiritualidade própria. Os movimentos têm uma espiritualidade e acentuam um aspecto, por exemplo a caridade. Antes de tudo, a Renovação Carismática não tem fundador; nenhum pensa em atribuir à Renovação Carismática um fundador porque é algo que começou em muitos lugares de diferentes maneiras. E não tem uma espiritualidade; é a vida cristã vivida no Espírito.

Mas pode-se dizer que como a gente que viveu esta experiência constitui socialmente uma realidade --são pessoas que fazem determinados gestos, oram de certa maneira-- então se pode identificar uma realidade social cujo papel é simplesmente o de colocar-se à disposição para que outros possam ter a mesma experiência. O cardeal Leo Jozef Suenens, que foi o grande protetor e partidário da Renovação Carismática no início, dizia que o destino final da Renovação Carismática poderá ser o de desaparecer quando esta corrente de graça tenha contagiado toda a Igreja.

- A ponto de concluir a pregação de um retiro no qual estiveram mil líderes carismáticos de todo o mundo, que mensagem gostaria de deixar ao crente que desconhece a Renovação?

- Pe. Raniero Cantalamessa: Quero dizer aos fiéis, aos bispos, aos sacerdotes, que não tenham medo. Desconheço por que há medo. Talvez em alguma medida porque esta experiência começou entre outras confissões cristãs, como pentecostais e protestantes. Contudo, o Papa não tem medo. Falou dos movimentos eclesiais, inclusive da Renovação Carismática, como de sinais de uma nova primavera da Igreja, e muito com freqüência faz referência na importância disso. E Paulo VI afirmou que era uma oportunidade para a Igreja.

Não há que ter medo. Há Conferências Episcopais, por exemplo na América Latina --é o caso do Brasil--, onde a hierarquia descobriu que a Renovação Carismática não é um problema: é parte da solução ao problema dos católicos que se afastam da Igreja porque não encontram nela uma palavra viva, a Bíblia vivida, uma possibilidade de expressar a fé de maneira gozosa, de forma livre, e a Renovação Carismática é um meio formidável que o Senhor pôs na Igreja para que se possa viver uma experiência do Espírito, pentecostal, na Igreja Católica, sem necessidade de sair dela.

Tampouco se deve considerar que se trata de uma «ilha» na qual se reúnem algumas pessoas que são um pouco emocionais. Não é uma ilha. É uma graça destinada a todos os batizados. Os sinais externos podem ser diferentes, mas em sua essência é uma experiência destinada a todos os batizados.

3 de nov de 2011

Estamos de volta!!!

Amados e amadas, estamos de volta!!! O blog encontra-se ainda em manutenção, para pequenos ajustes.

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