20 de abr de 2011

Angústia Suprema


Hoje decidi refletir sobre a dor de Jesus no horto, em vista da semana santa. Mas refletir sobre a dor de Jesus é de certa forma participar dessa dor. 
Escutando uma canção que expressa essa vivência de união com a dor de Cristo, sentir-me impulsionado a escrever.

A canção diz: “... Angústia ao extremo, sua alma entristeceu...”, Diante dessa angústia suprema de Cristo lembro-me quantas vezes fiquei angustiado, perdido, sem saber o rumo aonde ir. Jesus mostra-nos um exemplo a seguir, mesmo nas angustias e tribulações é preciso seguir na vontade do Pai, assim como diz São Paulo em sua carta aos Filipenses 3,16: “Contudo, seja qual for o grau a que chegamos, o que importa é prosseguir decididamente”.

Continua a canção: “... Só a lua a iluminar, a angústia de um homem-Deus...”. Era noite, os discípulos dormiam, a lua era testemunha da dor que Jesus passava. À noite para mim é sempre um momento de reflexão, reflexão do dia que se passou, da minha história de vida, dos meus acertos e erros, enfim é um momento de reclinar minha cabeça no travesseiro rezar e pensar. Talvez essa realidade seja a de muitas pessoas, inclusive você que esta lendo esse texto. Quantas vezes você já foi dormir angustiado, triste, por motivos variados? Uma briga com um familiar ou amigo, um pecado grave cometido, uma traição, tantas coisas que lhe fez chorar.

Nesse momento da nossa reflexão lembro-me de outro trecho da música que diz: “... Prostrou-se em terra, exprimiu suas aflições. Um anjo o consolava e a tristeza o abalava...”. Muitas vezes não conseguimos nos prostrar em terra, porque para prostra-se em terra é preciso se humilhar, é preciso quebrar o orgulho, e quebrar o orgulho é renunciar a si mesmo. O ensinamento de Jesus nesse momento é muito forte, diz São Paulo: “Sendo ele de condição divina, não se prevaleceu de sua igualdade com Deus, mas aniquilou-se a si mesmo, assumindo a condição de escravo e assemelhando-se aos homens. E, sendo exteriormente reconhecido como homem, humilhou-se ainda mais, tornando-se obediente até a morte, e morte de cruz” (Filipenses 2, 6-8). Jesus diante desse momento de dor exprime a angústia que passava, exprimindo suas aflições pede ao Pai que afaste dEle aquele cálice. Naquela dor suprema um anjo aparece para confortá-lo. “... Repleto de amor o sangue transpirou...”.

Percebe-se que o amor de Deus é constante, Deus não para de amar, “Deus é amor” (1Jo 4,8). Essa presença que conforta e reanima nos momentos difíceis. Seguindo na Sua vontade, move-nos ao Seu encontro. Não foi diferente com Jesus, obediente entregou-se a vontade do Pai, custando-lhe a própria vida. Certamente o evangelista João experimentou desse amor: “Com efeito, de tal modo Deus amou o mundo, que lhe deu seu Filho único, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3,16).

Por fim, a canção diz em seu refrão: “Suor e sangue, angústia e amor”. O amor de Deus sempre prevalece mesmo na dor.

Nessa semana vivemos a paixão, morte e ressurreição do nosso grande Deus e Senhor Jesus Cristo. É tempo de mudar, de buscar a santidade e conversão. É semana santa, viva intensamente esse tempo na Igreja. Jesus não permaneceu na cruz, Ele passou pela cruz, venceu a morte e ressuscitou para glória de Deus Pai. Amém!



Pax et Gaudium!