1 de dez de 2010

Posso ser Católico e Maçom?





Não é do conhecimento de todo católico que dentro da Igreja, nos movimentos e nas diversas funções, há quem seja maçom e católico ao mesmo tempo, veladamente, é claro.

Raros são aqueles que abertamente se declaram.

Pois bem. Cabe então nos perguntar-mos se estas duas doutrinas guardam similaridades e, se possuem algo comum entre si, tornando-as, desse modo, "substâncias" homogêneas.

Em contra partida é do conhecimento geral que a maçonaria se diga entidade discreta com objetivo de cultivar e promover as virtudes humanas à serviço da pátria e da humanidade, orientando seus membros a
alcançarem, de forma progressiva, um grau perfeito em sabedoria.

A transmissão destes "conhecimentos" no entanto, não se dá abertamente, de modo acessível à todos que manifestem interesse.

A Constituição do Grande Oriente do Brasil - orgão que rege e legisla toda a maçonaria no Brasil - diz expressamente no seu artigo nº 5: "Nada imprimir nem publicar sobre assunto maçônico ou que envolva o nome da Instituição, sem expressa autorização do Grão Mestre"; e no artigo nº 17 está declarado: "Nada expor, imprimir, ou publicar sobre assunto maçônico, sem expressa autorização superior" (A Maçonaria no Brasil, Boaventura Kloppenburg - Ed. Vozes, Petrópolis, 1956, pp. 54 e 55).

Sendo assim, fica vetado a qualquer que seja, tomar conhecimento sobre as práticas e ritos (ou rituais) que dentro das quatro paredes das "oficinas" maçônicas são realizadas.

Todo aquele que filia-se a uma associação maçônica está portanto obrigado a guardar sigilo, sob pena de punições severas, sobre tudo o que ocorre nestas "reuniões discretas".

Ora meus caros, isto é totalmente contrário ao método de ensino usado por Nosso Senhor Jesus Cristo, que ensinava abertamente a quantos mais estivessem interessados, sem distinções e seleções de pessoas, também contrário aos ensinamentos da Santa Igreja, que a todos acolhe e lhes oferece o depósito da Fé integralmente, sem reservas, sem segredos, sem "discrição".

Há ainda que se falar do caráter liberalista que a maçonaria sustenta.

Esta sociedade secreta ostenta a bandeira da Tolerância e da Liberdade religiosa no sentido mais extenso do termo, de modo que, cada cidadão possui o sagrado direito de cultuar a Deus e praticar a religião do modo como ele mesmo bem entender, sem nenhuma influência ou interferência alheia. Qualquer intromissão nas ideias religiosas do cidadão é considerada violência, injustiça, tirania, ambição, fanatismo e condenável intolerância.

A "Biblioteca Maçônica" ou Instrução Completa Vol. II p. 274 afirma estar "cada um podendo louvar o Ser Supremo segundo suas ideias e segundo os diferentes cultos, a Maçonaria não admite discussões sobre a excelência de tal ou tal culto; porque ela tolera e compreende indistintamente a todos".

Vemos aí a construção da "Babel doutrinária". Onde tudo deve ser crido e tido por verdadeiro, nada é falso ou condenável!

Em documento intitulado "A Maçonaria" enviado a todas as lojas maçônicas e publicado no orgão oficial do Grande Oriente do Estado de São Paulo, podemos observar a seguinte declaração: "A Maçonaria não reconhece outras verdades além das fundadas na razão e na ciência e combate, servindo-se somente dos resultados obtidos pela ciência, as superstições e os preconceitos sobre os quais baseiam as igrejas a sua autoridade" (A Maçonaria no Brasil, Boaventura Kloppenburg).

Entenda-se aí por superstições, as verdades de fé do Catolicismo, os Dogmas principalmente.

A Maçonaria se considera a defensora dos ideais religiosos, individual em cada homem, da liberdade de culto, de crença e de pensamento. Daí a tríade Maçônica: Liberdade, Igualdade e Fraternidade; que é alcançada pela via da tolerância, que a tudo compreende e a nada aceita como verdade absoluta, do contrário, estaria cometendo um atentado contra o indivíduo no seu juízo privado, resumindo, intolerância, já que a Maçonaria tem por direito sagrado e inviolável, o direito de pensar livremente.

Cada qual crê naquilo que quer, assim, a verdade torna-se capricho de cada mente, produto de cada homem em particular.

Essa ideologia é frontalmente contraria ao que a Igreja sempre ensinou e defendeu. Este Liberalismo e
Relativismo que as associações maçônicas propagam são contrários a Fé e certamente pecaminosos e perniciosos.

O Liberalismo é doutrina má pois defende a soberania do indivíduo com inteira independência de Deus e da sua autoridade, e a não intervenção da religião em qualquer ato de vida pública, verdadeiro ateísmo social, que é a ultima consequência do Liberalismo (O Liberalismo é pecado, Dr. D. Félix Sarda y Salvani - Companhia Ed. Panorama, São Paulo, 1949, p. 17).

O Liberalismo é pecado grave de doutrina pois fere a Fé e viola os Mandamentos de Deus e da Igreja, quando isola das relações humanas, o agir e o intervir de Deus na vida do homem, extirpando assim, a necessidade e a realidade da Revelação Divina, fator essencial à salvação do gênero humano.

Já o Papa Leão XIII, em 1884, na Encíclica Humanum Genus, denunciava com maestria e alertava a todos os fieis sobre o caráter maléfico que este organismo sectário sempre ostentou, dizia: Nesta época, entretanto, os partisans (guerrilheiros) do mal parecem estar se reunindo, e estar combatendo com veemência unida, liderados ou auxiliados por aquela sociedade fortemente organizada e difundida chamada os Maçons. Não mais fazendo qualquer segredo de seus propósitos, eles estão agora abruptamente levantando-se contra o próprio Deus. Eles estão planejando a destruição da santa Igreja publicamente e abertamente, e isso com o propósito estabelecido de despojar completamente as nações da Cristandade, se isso fosse possível, das bênçãos obtidas para nós através de Jesus Cristo nosso Salvador.

Importante notar que nos últimos tempos não menos que nove Papas emitiram documentos condenando estas sociedades: Clemente XII, Bento XIV, Pio VII, Leão XII, Pio VIII, Gregório XVI, Pio IX, Leão XIII, Pio X... Daí veja-se a gravidade do perigo que estas seitas representam para a salvação das almas.

Vemos assim o quão incompatíveis são estas duas organizações e que não há possibilidade de aceitar uma sem contradizer frontalmente a outra.

É fato tão certo que no livro "Maçonaria e Catolicismo" de Max Heindel, autor autodeclarado "maçon de coração" (a fim de não violar a regra do sigilo sobre os meandros da Ordem caso fosse membro oficial), traz a seguinte afirmação sobre o objetivo da obra: "(...) mostrar a finalidade Cósmica dessas duas Grandes

Organizações, tão acirradamente antagônicas. Não pretendemos reconciliá-las, pois, embora destinadas a promover a emancipação da alma, seus métodos são diferentes e os atributos da alma alimentados por um método, são muito diferentes dos alimentados pela outra Escola" (Maçonaria e Catolicismo, Max Heindel - Ed. Parma, SP, p. 7).

O autor se diz ainda "francamente contrário ao Catolicismo" e mais a frente, antes de começar o discurso místico e gnóstico no decorrer do livro, expressa a que veio a Maçonaria: “Assim, nossa oposição não é pessoal, mas espiritual, e é para ser efetuada com arma do Espírito-Razão. Acreditamos firmemente nisso e para o bem eterno da humanidade é que os Maçons deverão vencer” (op. cit. p. 8).

Vemos portanto, que o Sumo Pontífice Leão XIII, na Encíclica Humanum Genus denunciava acertadamente a sociedade dos maçons como "associação perniciosa aos interesses do cristianismo" e que "empreendem arruinar a Santa Igreja".

A Maçonaria com suas oficinas, esquadros, compassos e réguas, pretende construir qualquer coisa menos o Reino de Deus. Antes disso! Ela está muito mais empenhada em edificar a Babel Religiosa onde o único senhor é o próprio homem; ele guiado pela sua razão é a centralidade das coisas, já que para eles não existe Verdade Revelada.

E instigando seus adeptos a uma soberba assombrosa os incentiva a acreditar que o que vale é a opinião "sagrada" de cada um a respeito de Deus, fortalecendo neles uma mentalidade subjetivista, que aos poucos, os fará passar a odiar o Deus verdadeiro.

É a vitória do "eu acho" sobre a verdade.

É a transição do Reinado e Senhorio de Deus para o pretenso reinado do homem, onde tudo guiar-se-á pelo compreender do homem e suas evoluções.

Pelo que aqui expomos, e não somente por isto, é que continua válida a declaração da Igreja: "(...) Em presença desses fatos, simplíssimo era que esta Sé Apostólica denunciasse, publicamente a seita dos maçons como uma associação criminosa, não menos perniciosa aos interesses do cristianismo do que aos da sociedade civil. Decretou, pois, contra ela as penas mais graves com que a Igreja costuma fulminar os culpados, e proibiu filiar-se a ela." (Encíclica Humanum Genus, Papa Leão XIII).

E ainda no mesmo documento:"Lembrai-lhes que, em virtude das sentenças várias vezes proferidas pelos Nossos predecessores, nenhum católico, se quiser permanecer digno do seu nome e ter da sua salvação o cuidado que ela merece, sob qualquer pretexto, pode filiar-se à seita dos mações. Algumas pessoas, com efeito, podem crer que, nos projetos dos mações, não há nada formalmente contrário à santidade da religião e dos costumes. Todavia, sendo condenado pela moral o princípio fundamental que é como que a alma da seita, não pode ser permitido aliar-se a ela, nem auxiliá-la de qualquer modo".

E mais recente na “Declaração sobre a Maçonaria” do então Cardeal Ratzinger, hoje Papa Bento XVI: "Permanece portanto imutável o parecer negativo da Igreja a respeito das associações maçônicas, pois os seus princípios foram sempre considerados inconciliáveis com a doutrina da Igreja e por isso permanece proibida a inscrição nelas. Os fiéis que pertencem às associações maçônicas estão em estado de pecado grave e não podem aproximar-se da Sagrada Comunhão."

Pelo pouco que vimos já faz-se possível bradar um sonoro "NÃO", não é possível ser Católico e Maçom ao mesmo tempo. Pois aderir a um lado é expurgar automaticamente o outro.

Desejamos com os mais sinceros sentimentos que estas pessoas que são Católicas e que estão proibidas de aproximar-se à Sagrada Comunhão por estarem filiadas a estas associações possam tão rápido deixá-las e assim, voltarem fielmente ao seio da Santa Igreja de Deus.

Amém.